Feito bolo 

Esse começou sendo um texto metafórico da vida, como todos os outros. Mas tô sem saco pra ser artista e criativa. Inclusive perdi o saco, em geral. Esse virou um texto sobre cansaço.

Na noite clara das nuvens alaranjaras eu vi pouca arte, deitei na cama com o corpo meio morto e a alma zero viva. 

Mas a culpa é minha. Eu que uso os outros como combustível. Eu que gosto de rever série só pra ver os olhos brilhando da pessoa do lado. Eu que escrevo no boxe do banheiro, no Twitter, no Instagram, nesse blog… pra me encantar com você olhando de volta. 

Vai ver sempre fui eu, que via arte, que via tanta arte! Preparava toda a cena pra gravar, ansiosa pra gritar ação. Mal sabia que a cena nunca tinha sido feita pra andar na linha. Desandei feito bolo.

Afternoon

Once they told me afternoons were melancholic I used to understand 

But when I first saw you under the 4 pm sun 

I realize it wasn’t melancholia 

But a hole inside our flowery bodies 

Truly a need to share that sun covered space with another soul

You made me look to the curtain made shadows differently  

 Not like prisons bars as I used to 

But like dancing spots in a Latin party

Like couples holding each other in the theater 

People in a mall 

Friends in the garden

Lovers in the beach 
You and me a hundred times in your window

We were the shadows of the perfect dream I’ve imagined for us

We 

Sun made shadows 

And that’s everything but melancholic 

That’s you and the flowers growing inside my lungs 

So beautiful 

Look at us 

Such a pretty afternoon 

Aventura

As suas roupas me caem tão bem, assim como meu sorriso do teu lado, nossas mãos dadas no restaurante, a gente rindo junto no bar, de piadas diferentes, mas juntos. A gente se cai bem, se cai bem sem cair, nem um no outro, nem sozinho. Porque nas vezes que eu tropecei em mim mesma você me segurou, meio bambo e com sono, mas apertou forte. 

Eu tinha uma visão tão diferente do que era um relacionamento, duas pessoas juntas por amor, eu tinha todos os tipos de pré conceitos em cima disso, todas as realidades alheias que eu incuti na pele. Mas você me mostrou um mundo todo de carro pela lagoa, como é que eu não ia me apaixonar. 

Se eu não tivesse me esbarrado em você qualquer dia pela faculdade, hoje eu estaria muito provavelmente namorando, até porque sobre quem eu escreveria se não meu namorado? Mas seria estranho, como peças de um quebra cabeça apertadas pra caber. Eu e você um de cada lado do tabuleiro. Eu nunca te escutaria tocando gaita, que mundo horrível. Não que eu fosse sentir falta de algo que eu nunca tive, diriam os céticos, mas se do mundo todo eu tivesse ignorado justo o nosso tropeço, ignorado sua boca suja de açaí, o cabelo solto, a blusa branca, se por algum motivo, você passasse desimportante na minha vida, hoje eu estaria escrevendo sobre querer viver aventuras, não sobre estar namorando uma. 

Você é e sempre será minha aventura favorita, desde a primeira vez que nos falamos, até Deus sabe quando deixarmos de nos ver. Eu amo cada trajeto em você.

Mar De Pedra

Tá tão quieto por aqui, não o quieto ensurdecedor do meio do mato, mas aquele quieto da selva de pedra, dos carros passando pelos quebra molas, com suas rodas passando pelo asfalto molhado, imitando o som das ondas. Fogos de artifício tão longe que daqui parecem sorrisos amarelos em festas de família, som da geladeira vibrando, o meu som engolindo seco. Eu não sei se é porque só tem eu aqui, ou se eu só não percebi isso por não ter tido tempo, mas meu estômago tá revirado e meu peito apertado. Eu tô aflita, e eu não sei estar aflita, eu sei respirar fundo e me distrair, sei muito bem como comer até ter sono e dormir até ter fome, sei estar cheia de provas, mas não faço ideia de como lidar com os sons da rua me deixando apavorada e os meus olhos se enchendo. Eu não sei estar aflita e eu não sei não saber o porquê. 

Eu me sinto sozinha, sozinha e cheia de espaço nesse quarto tão pequeno. Eu não quero espaço, eu quero calor. Eu encho meu quarto de frases e poemas pra que ele fale comigo justamente nessas horas, porque ele sabe o que dizer. Mas acho que hoje ele também se sente sozinho. 

Parece fim de carnaval, eu lembro que me senti exatamente igual, emocionalmente cansada, desgastada. Querendo colo. Hoje eu tô um copo meio vazio, só aquele gole quente da água que a gente deixa do lado da cama caso sinta sede durante a noite. Eu me sinto cheia de espaço por dentro e por fora. Hoje eu não tô aguentando os espaços em branco, nem o som da geladeira vibrando, gritando comigo, quero tirar da tomada e ficar em paz, mas não acho que a paz vá vir de um eletrodoméstico desligado. 

Minha boca tá levemente dormente, mas eu estou alerta demais, percebendo todos os detalhes imóveis das coisas. Um post it diz que tem nações inteiras na minha pele, outro me manda nunca parar porque eu sou um tubarão. O que acontecem com tubarões quando eles não conseguem parar de focar no som dos carros, ou das ondas, ou da saliva na minha boca indo de um lado pro outro.  

Break often – not like porcelain, but like waves, minhas paredes me dizem, nem hoje nem nunca eu sou porcelana, mas tampouco estou o mar. Crises de pânico também são silenciosas.

Melancias

   Tem gente que aparece na tua vida muito tarde, que se estivesse lá antes teria feito tudo melhor, teria feito toda diferença do mundo. Mesmo eu te colocando nessa categoria, não tem como negar que você chegou pra mim na hora que eu mais precisava, chegou e ficou, sem desculpas. 
   Tem um motivo pra cê ter 365 aniversários pra ir todo ano, pra você nunca estar sozinho e ter milhões de eventos todo final de semana. É que você, fazendo parecer a coisa mais simples do mundo, está lá por todas as pessoas que gosta, tá lá com a gente trazendo a tona tanta energia positiva que nem cabe. 

   Quase 4 períodos e uma melancia atrás a gente se conheceu, ficamos bêbados juntos, trabalhos, provas e notas depois ainda estamos aqui de ressaca, antecedidos por um eu bêbada e um você bêbado dançando no espeto carioca. Teu aniversário é só uma desculpa pra te dizer que eu preciso de você, precisava até mesmo antes de saber quem era você e quão pertinho cê tava. 

Que o dia hoje seja maior e melhor, que sua dor de cabeça e enjoo passem, que a aula dure pouco e que não tenha trânsito pro fundão. Saiba que você pode contar comigo sempre. Feliz aniversário meu benzinho. 

Sleep tight 

Don’t 
Don’t keep me under your eyes

I’m here in plain sight 

Counting sheep, stars and stains in the wall 

Don’t sleep through my breaths 

Don’t make me feel alone 

—<>—
 
My beer says 1996

That’s how old I am

What have changed?

We grow but our fears still haunt us 

Will I ever be the same? 

Relentless like 2013

Blurred vision, drunk stories, true feelings 

—<>—

Do ends feel like ends? 

Do stiff fingers trigger souls? 

Am I as lost as one year ago? 

Questioning myself feels so old 

Like dejà vu’s and cliches and love stories and, of course, 

Alcohol 

Good dreams boo 

Flores

Eu nunca esqueci das flores que você  me deu, eram lindas 

Mas nós não

Aquele dia não 

O que você fazia comigo não 

Então elas ficaram feias, murcharam ainda vivas 

Tipo eu logo antes de terminar contigo

Murcha e viva ao mesmo tempo 

Que jeito horrível de existir 

Ônibus e aquele tempo livre

   Perdi a conta de quantas vezes fiz esse trajeto de cabo a rabo, eu podia estar falando dessa linha de brt, mas tô falando é da auto análise que acontece enquanto eu tô nela. Eu me olho pelo reflexo da janela e quase nunca vejo a mesma coisa, como caminhamos Sara, se lembra daquela garota assustada em Mangaratiba, se escondendo e vivendo por meio da melhor amiga? 

   Hoje a gente tá aqui ouvindo uma playlist aleatória no spotify e escrevendo com os mesmos erros de pontuação de mais nova, estamos bem, felizes e cansadas, mas nos saindo bem nessa coisa de vida e tal. Choro por coisas diferentes, rezo pelas mesmas de antes, o all star também permanece, mas as calças não cabem mais. Cortei o cabelo umas 18 vezes, pintei umas 3, transei com 8 caras, namorei com 5. Hoje eu tenho um estágio e um CR bom na faculdade, faço meus próprios congelados e só manchei 6 roupas na máquina de lavar. 

   Mas, o mais importante é que mesmo tremendo de medo em conhecer gente nova, de manter uma conversa, de qualquer situação social, eu fiz e faço amigos novos, faço perguntas em palestras, eu peço ajuda de estranhos no metrô, puxo assunto com os país dele na hora do almoço, eu marco e vou nas consultas médicas sozinha. Não se engane, eu ainda tremo de medo na hora de tocar campainhas e atender o telefone, fico desejando minha melhor amiga comigo pra ser meu escudo, mas eu engulo seco e vou em frente.

   A vida te faz crescer e minha mãe me criou pra ser do mundo. Não fui feita pra não ter medo, mas perseverar apesar deles, coragem pra sair de casa mesmo não sabendo me portar socialmente e pra levantar a voz quando tentam me acoar. Força pra esquecer as palavras do meu ex que me marcaram fundo, pra ignorar a necessidade de me provar pra um pai que nunca foi presente. Essas coisas que a gente precisa fazer sozinho. 

   Mas faz um bem danado pro coração olhar para trás e enxergar o crescimento, eu só tenho a agradecer por tantas viagens de ônibus e tantas oportunidades de me lembrar que a gente tá aí crescendo sem nem perceber.  

Sun Kissed Heart

Sun kissed heart

Cause she was warmth 

Even when my cold loveless soul was not 

She was bright 

All of her passed through my cracks 

All of her light and those honey eyes 
It was summer all year long 

But only through her smile 

Because when I made her cry

The sun cried too 

Those hopeless shades of dark stood  

No more flowery thighs 

No more cold drinks and warm skins at noon  
Now she keeps the flowers alive 

Somewhere else 

And I 

I believe in the God that made her 

I believe in the earth that translates her 

She made summer last for so long 

That I almost forgot how winter tastes like 

Like hope, lonely teas and drunk apologies 
-For her that created with bare hands my whole universe.

Eu e eu mesma

    Eu fraquejei conosco, tenho fraquejado esse tempo todo aliás, fingindo que os dias que passaram levaram a dor e as palavras pra fora de mim, ao invés de bater de frente como a boa guerreira que somos. Fraquejei e escondi tão bem de nós mesmas, que esqueci, tomamos nossas manias, ações, falhas e erros como coisas desconectadas do que nós passamos, do que nós somos. Mas mentir pra si mesmo além de ser desespero não funciona, que a gente sempre esbarra com os pedacinhos da verdade feito trilha de migalhas no chão.    Mas foi com a melhor das intenções que eu decidi apagar essas coisas escritas na gente, achei que bastava esfregar com uma esponja, água quente e álcool pra nos livrar, só que acabei apenas borrando a tinta pro resto do nosso corpo e alma. Eu sujei tudo, manchei a pele, deixei esse azul caneta estragar o que restava, impregnei as roupas e as relações. Isso pra fugir das palavras que doeram mais que espinhos e duraram mais que primaveras, bem mais. 

   E é problema nosso e só nosso, não temos porque esperar que outros possam ou queiram, ou saibam lidar com nossos traumas. A casa parece pronta, tá linda e decorada, pintamos as paredes, compramos tapetes e travesseiros, abrimos a janela, deixamos o ar inundar os cômodos com o cheiro das estações. Mas não consertamos o encanamento, que cisma de pingar de pouco em pouco pelo lugar inteiro, não achamos que faria estrago, mas fez e faz. 

   Eu vou dar um jeito, já admiti derrota e tô pra chamar um encanador que saiba o que fazer, porque nós não somos fáceis de lidar. Quem é que arruma a casa toda, mas não dá atenção pros problemas da estrutura? Uma vez eu li a Clarice dizendo que “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”, mas eu tô é com uns problemas em descobrir qual é o defeito que está me impedindo de ser inteira. 

    —Me deu vontade de te chamar de egoísta, me vendo ali segurando sozinha um balde completamente cheio dos meus erros, tentando, sem sucesso, não deixar a goteira livre pra inundar o chão. Mas não tá certo, a culpa não é sua, nunca me deu motivo. Você tá logo ali só pedindo que eu confie enquanto nós estamos aqui tentando aprender como. Foram anos enferrujando meu edifício eu sinto dizer que não são meses que vão consertar. Peço perdão por ter dado uma de vendedora esperta e escondido os defeitos da casa, ela é tão charmosa que cê nem percebeu.